
Este ano, milhares de trabalhadoras e trabalhadores dos países que formam o Cone Sul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) estarão na fronteira da cidade de Santana do
Livramento (RS) com a cidade de Rivera, no Uruguai. A manifestação internacional foi proposta pela Comissão de Mulheres da Coordenadora das Centrais Sindicais do Cone Sul
(CCSCS) porque acreditamos que um outro Mercosul é possível, se for resultado de um processo de integração produtivo, social e com a participação
igualitária das mulheres. Nossa prioridade neste ato será a defesa da igualdade salarial e o combate à violência contra a mulher.
Santana de Livramento e
Rivera são separadas apenas por um poste de luz. Lá, é comum os homens matarem, espancarem ou estuprarem mulheres e se refugiarem na cidade vizinha. Como as leis são
diferentes, brasileiros e uruguaios usam a fronteira para escapar de seus crimes contra as mulheres. A luta das mulheres é pelo estabelecimento de uma lei e de um protocolo de
extradição comuns.
É POR ISSO QUE LUTAMOS
Como forma de superar as desigualdades de salário e de oportunidades entre homens e
mulheres, além da garantia e acesso a um trabalho justo, com garantia de direitos trabalhistas e sociais, políticas públicas, acesso à terra, soberania alimentar,
legalização do aborto e combate à violência contra a mulher, as Centrais Sindicais filiadas à CCSCS, vêm neste momento de luta em 8 de março exigir
de seus Governos:
1. Estabelecimento de indicadores de geração de emprego para as mulheres nos diversos setores da economia, tendo como objetivo o trabalho decente, com
igualdade de salários, de oportunidades e de tratamento;
2. Indicadores de equidade de gênero para contratação, funções e ascensão
profissional nas empresas, com prazos definidos e processos claros de avaliação com a participação dos trabalhadores/as;
3. Criar marco legal adequado em
matéria de igualdade de oportunidades e de tratamento, que contemple todos os trabalhadores e trabalhadoras, incluindo os trabalhadores/as domésticos/as, temporários, rurais
e migrantes;
4. Implementação de políticas afirmativas que coíbam a discriminação de gênero, raça/etnia, geração,
orientação sexual e deficiência nos espaços do trabalho e da sociedade;
5. Políticas de incentivo à permanência dos jovens nas escolas
até a conclusão de sua formação educacional regular;
6. Garantia em lei da ampliação da licença maternidade e paternidade;
7.
Ampliação do número de vagas em creches públicas até os sete anos de idade;
8. Garantia do aborto legal e seguro nas redes públicas de
saúde;
9. Ampliação das políticas de combate à violência contra a mulher e estruturação das casas abrigo.
10.
Criação de uma legislação e de um protocolo de extradição comuns para tratar dos casos de violência sexista nas áreas de fronteiras.
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Fonte: Site da Escola Sul da CUT